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TISEC / Gestão tecnológica

A sua empresa sabe de que software depende? Um novo guia europeu explica porque isso importa

A agência europeia de cibersegurança publicou orientações para melhorar o conhecimento sobre os componentes de software. Para as pequenas empresas, a notícia é também um convite a olhar com mais atenção para as ferramentas digitais que utilizam todos os dias.

Poster editorial TISEC de fundo azul sobre inventário tecnológico e segurança, com um portátil e figura feitos de papel recortado
Ilustração editorial TISEC

É habitual uma empresa saber quantos computadores tem, quais são os seus principais fornecedores e que despesas precisa de pagar todos os meses. Já identificar todas as aplicações que permitem trabalhar, perceber onde guardam informação ou saber quem é responsável por cada uma pode revelar-se mais difícil, sobretudo quando as ferramentas foram sendo adotadas ao longo dos anos, à medida que surgiam novas necessidades.

O programa de faturação, o correio eletrónico, a plataforma de gestão de clientes, o sistema de reservas ou a aplicação utilizada para partilhar documentos podem funcionar tão discretamente no dia a dia que raramente pensamos naquilo que existe por detrás deles. É precisamente essa facilidade que torna a tecnologia útil, mas também pode dificultar a compreensão das dependências criadas entre os vários serviços.

Foi neste contexto que, a 22 de outubro de 2026, a Agência da União Europeia para a Cibersegurança (ENISA) publicou orientações técnicas sobre um conceito conhecido como Software Bill of Materials, habitualmente designado pela sigla SBOM. O documento destina-se sobretudo a organizações que pretendem começar a conhecer e gerir melhor os componentes integrados nos seus produtos de software, com particular atenção às micro, pequenas e médias empresas.

O nome é técnico, mas a ideia que está por trás dele é relativamente simples: para gerir melhor a segurança de um produto, ajuda saber de que peças é feito.

O que é, afinal, um SBOM?

Quando utilizamos uma aplicação, vemos as funcionalidades que ela disponibiliza, mas não os inúmeros componentes que podem ter sido combinados para a construir. Tal como um equipamento contém peças produzidas por diferentes fabricantes, um programa informático pode incluir bibliotecas, módulos e outras partes de software desenvolvidas por entidades distintas.

Um SBOM é um inventário estruturado desses componentes e das suas relações. É frequentemente comparado a uma lista de ingredientes, embora a comparação não seja perfeita: num programa informático, as diferentes partes podem depender umas das outras, receber atualizações em momentos diferentes e apresentar riscos que não são imediatamente visíveis para quem utiliza o produto.

Imagine-se que é descoberta uma falha de segurança num componente usado por várias aplicações. Para quem desenvolve ou mantém esses produtos, conhecer a composição do software pode ajudar a identificar mais rapidamente quais poderão estar afetados e que correções precisam de ser avaliadas. Sem essa informação, a investigação pode tornar-se mais demorada, mesmo quando já existe uma solução para o problema.

As orientações da ENISA procuram apoiar precisamente este trabalho, explicando como organizar a informação, acompanhar o seu ciclo de vida e reduzir riscos associados à utilização dos próprios inventários de componentes. Não se trata, porém, de uma nova exigência para que todas as pequenas empresas passem a produzir documentos técnicos sobre cada programa que utilizam.

E o que significa isto para uma empresa que não desenvolve software?

Para um escritório de contabilidade, um restaurante ou uma pequena empresa de serviços, o ponto de partida será geralmente diferente. Em vez de identificar os componentes internos de cada aplicação, faz mais sentido começar por conhecer as ferramentas que suportam a atividade, as empresas que as fornecem e as responsabilidades associadas à sua manutenção.

Pensemos numa empresa que depende de uma aplicação para emitir faturas e de outra para acompanhar encomendas. Enquanto ambas funcionam, pode não haver qualquer motivo aparente para rever essa organização. Mas, se uma das plataformas deixar de estar disponível, sofrer uma alteração importante ou precisar de uma atualização urgente, torna-se relevante saber quem administra o serviço, onde estão os dados e que alternativas existem para continuar a trabalhar.

Esta informação também é útil quando um colaborador sai da empresa, quando se muda de fornecedor ou quando se descobre que existem várias subscrições para ferramentas que desempenham funções semelhantes. O inventário deixa, assim, de ser apenas uma questão de segurança e passa a ajudar na organização dos recursos e no controlo de custos.

Não é necessário começar com uma solução complexa. Para muitas pequenas empresas, uma relação atualizada das aplicações utilizadas, acompanhada de alguns dados essenciais, já permite tomar decisões com mais segurança.

Por onde começar, sem complicar?

Uma primeira revisão pode ser feita a partir de questões muito práticas: que aplicações são indispensáveis ao funcionamento da empresa, quem as utiliza, quem tem acesso de administração, onde está guardada a informação e quem deve ser contactado quando surge um problema.

É igualmente útil perceber se as atualizações são asseguradas pelo fornecedor ou se dependem de uma intervenção interna, como são realizadas as cópias de segurança e o que acontece caso uma aplicação deixe de poder ser utilizada. Em serviços contratados externamente, vale a pena confirmar estes pontos em vez de presumir que todas as responsabilidades estão incluídas na mesma mensalidade.

Por exemplo, uma empresa pode contratar uma ferramenta online e beneficiar das atualizações da plataforma realizadas pelo respetivo fornecedor, mas continuar a ser responsável pela gestão das contas dos seus colaboradores, pelas permissões de acesso e por determinadas configurações de segurança. O modelo concreto varia entre serviços, pelo que conhecer essa divisão de tarefas evita dúvidas quando é necessário agir.

Nos casos em que uma empresa desenvolve software, comercializa soluções digitais ou depende de aplicações particularmente críticas, pode justificar-se um nível de análise mais aprofundado, incluindo a utilização ou solicitação de SBOM aos fornecedores, quando apropriado. Para a generalidade dos pequenos negócios, porém, o importante é começar por obter uma visão clara da tecnologia de que efetivamente dependem.

Conhecer os sistemas é uma forma de preparar o futuro

As pequenas empresas têm hoje acesso a ferramentas que, há poucos anos, estavam reservadas a organizações com departamentos tecnológicos especializados. Essa evolução trouxe ganhos evidentes de produtividade e simplificou muitas tarefas, mas também fez com que parte importante da operação diária passasse a depender de aplicações e serviços externos.

As novas orientações da ENISA ajudam a recordar que a segurança de um produto digital está relacionada com aquilo que o compõe e com a capacidade de acompanhar as suas alterações. Para quem apenas utiliza essas ferramentas, a lição é complementar: compreender que sistemas existem, para que servem e quem cuida deles permite responder melhor tanto a um alerta de segurança como a uma simples mudança operacional.

Não se trata de transformar o empresário num especialista em informática, nem de acrescentar documentação que ninguém irá consultar. Trata-se de ter informação suficiente para que, quando surgir uma dificuldade, seja possível identificar o serviço afetado, contactar a pessoa certa e tomar uma decisão informada.

E, numa empresa em que o tempo e os recursos são limitados, essa preparação pode fazer uma diferença importante.

A sua empresa consegue identificar as aplicações de que mais depende?

Na TISEC, ajudamos empresas a compreender a sua infraestrutura tecnológica, organizar a informação sobre os sistemas utilizados e identificar riscos e oportunidades de melhoria, de acordo com a dimensão e as necessidades de cada negócio.

Se pretende saber por onde começar ou esclarecer que aplicações e responsabilidades devem ser revistas, entre em contacto connosco para conversarmos sobre a realidade da sua empresa.


Fonte oficial: ENISA — ENISA Technical Advisory for Software Bill of Materials, 22 de outubro de 2026

Nota de precisão: um inventário das aplicações utilizadas por uma empresa não é o mesmo que um SBOM, que descreve componentes de um produto de software. O documento da ENISA é uma orientação técnica e não cria, por si só, uma obrigação geral de produzir SBOM para todas as PME.

FONTE ORIGINAL

ENISA — Technical Advisory for Software Bill of Materials

Fonte publicada em 22 de outubro de 2026Consultar a publicação original ↗
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